O Suspiro de Francina Na quietude da Barra do Brabo, onde o Rio Manso banha memórias e a vida corre no compasso das águas, nasceu Francina da Conceição do Carmo. Filha de Martinho e Maria Martinha, cresceu entre a simplicidade da roça e a esperança que embalava os jovens daquela terra. Tinha apenas 22 anos quando o destino lhe preparou um caminho de dor e silêncio. Francina trabalhava em Cuiabá, mas sempre encontrava tempo para voltar à Barra do Brabo e rever os pais e irmãos. Nessas viagens carregava não apenas saudade, mas também sonhos. Estava grávida, fazia planos de se casar e guardava no coração a doce expectativa de contar aos pais a novidade que mudaria para sempre sua vida. Era novembro de 1982. Mato Grosso respirava o clima quente das eleições. Júlio Campos e o padre Raimundo Pombo disputavam o pleito. No coração do povo, mais do que política, havia a crença no voto como ato de mudança, de esperança. O local de votação, naquelas...