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Mostrando postagens de maio, 2025
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 Maria Perna Grossa: A Senhora da Prainha Havia uma casa simples na Prainha, entre o murmúrio das águas do córrego e o vai e vem do centro velho de Cuiabá, onde o sagrado e o mistério se encontravam no colo de uma mulher. Não era uma casa comum, tampouco uma mulher comum. Ali morava Maria Claudia da Costa — a inesquecível Dona Maria Perna Grossa.   O apelido, cruel para os que não conhecem as histórias, nasceu da filariose que fazia suas pernas parecerem desproporcionais, como se a própria terra a segurasse, não querendo que partisse. Mas quem a conheceu de verdade, sabia: suas pernas eram raízes — fincadas em um chão sagrado, por onde tantos passaram buscando alívio, respostas e bênçãos. E ela dava. Sem cobrar um centavo. Bastava seguir suas instruções, tomar o chá, a garrafada, engolir as cápsulas artesanais, ou simplesmente escutar o que São Domingos Sávio soprava em seu ouvido.   Governadores e juízes, comerciantes e donas de casa, mães desesperadas e filhos desnortea...
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O Galo da Igreja da Boa Morte de Cuiabá: Uma Sentinela do Tempo No coração do bairro Boa Morte, em Cuiabá, repousa uma das mais discretas, porém emblemáticas igrejas da capital mato-grossense: a Igreja de Nossa Senhora da Boa Morte. Com sua arquitetura simples e singela, ela guarda segredos que resistem ao tempo — e entre esses mistérios está o velho Galo da Torre, uma peça de metal que, por décadas, coroou a paisagem urbana da cidade e hoje representa um elo entre o passado e a memória afetiva dos cuiabanos. Minha relação com o Galo da Boa Morte teve início em 2009, quando participei da restauração da igreja. Durante os trabalhos, encontrei o velho galo num canto de uma sala, todo empoeirado, esquecido entre caixas e objetos antigos. Desde então, ele ficou guardado ali, quieto e enigmático. Minha curiosidade sobre sua origem e função crescia a cada dia. Busquei respostas com historiadores, moradores antigos, em livros e arquivos — mas o silêncio da história parecia intransponível. Som...
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A Saga da Luz em Cuiabá: Das Piquiras ao Brilho das Lâmpadas Elétricas Por Francisco das Chagas Rocha A história da iluminação pública em Cuiabá é um fascinante percurso que acompanha o próprio desenvolvimento da cidade, desde os tempos em que era um arraial acanhado na encosta do Outeiro do Rosário, até o advento da energia elétrica, no século XX. De acordo com o historiador Francisco A. Ferreira Mendes, do Instituto Histórico de Mato Grosso, a cidade nasceu ligando o antigo “Canto do Sebo” — hoje Praça Conde de Azambuja — ao largo da Igreja, atual Praça da República, através das três primeiras ruas: a de Cima, a do Meio e a de Baixo. Ali, sob a luz precária de lamparinas e archotes, se desenrolavam as noites cuiabanas, enquanto alguns sobrados de terra socada começavam a se destacar no cenário verde da natureza local. A luz das piquiras: a engenhosidade cuiabana Enquanto na Europa o óleo de baleia era o insumo da iluminação pública, em Cuiabá, a então Vila Real do Senhor Bom Jesus, o...