Mãe Walneth
Cuiabá amanheceu mais silenciosa hoje.
O vento que sopra pelas ladeiras da cidade parece carregar um lamento suave, como se até a própria natureza sentisse a ausência de uma mulher que foi força, luz e acolhimento: Mãe Walneth de Moraes.
Nascida em 13 de janeiro de 1965, cresceu com o destino marcado pela espiritualidade e pela entrega ao próximo. No terreiro, onde tantas almas buscaram alívio, esperança e conselho, Mãe Walneth ergueu-se como sacerdotisa da Umbanda, mas também como mãe de coração aberto, daquelas que não negam um abraço nem uma palavra de fé.
Quem já participou da lavagem das escadarias do Rosário sabe: sua presença não passava despercebida. Ali, entre tambores, flores e cantos, Mãe Walneth era Sócia fundadora e parte viva da tradição, conduzindo com firmeza e doçura uma celebração que não é apenas ritual, mas também memória, resistência e identidade de um povo. Sua figura marcante, seu olhar firme e ao mesmo tempo sereno, eram lembranças que se tornavam raízes no coração de quem a via.
Hoje, porém, as escadarias estão molhadas não de água de cheiro, mas de lágrimas. Os tambores parecem bater mais baixo, como se respeitassem o silêncio da partida. A ausência de Mãe Walneth é um vazio que ecoa — no Rosário, nos terreiros, nas ruas de Cuiabá.
Mas, como toda grande mãe de santo, ela não parte por completo. Fica no vento que gira, no canto que ressoa, nas histórias que cada filho de fé guardará consigo. Fica na força que inspirou, no amor que espalhou, na resistência que manteve viva.
Mãe Walneth segue, agora, para o Orum, levando consigo a luz que sempre ofereceu.
Nós, aqui, ficamos com a saudade — mas também com a certeza de que sua presença será eterna em cada canto entoado, em cada escada lavada, em cada coração que ainda buscará força nas lembranças de sua fé.
Hoje, Cuiabá chora.
Mas amanhã, e sempre, lembrará com reverência a grandeza de Mãe Walneth de Moraes.


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