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A Semente de Pedro No coração do centro histórico de Cuiabá, onde as pedras da Rua Sete de Setembro ainda guardam ecos de passos antigos e histórias de devoção, aconteceu neste 24 de junho uma festa que mais parecia saudade vestida de esperança. Era a Festa de São João Batista, o santo do fogo e da alegria, celebrado com o fervor e o brilho que só a memória de Pedrinho Celestino poderia acender. Pedrinho partiu no dia 14 de março de 2025, mas sua ausência, curiosamente, não se fez sentir como vazio. Ao contrário: era como se ele estivesse ali, discreto como era, mas com aquele olhar atento de quem cuidava dos detalhes. Durante décadas, fez da Rua Sete de Setembro seu palco sagrado de tradição junina — bandeirinhas dançando ao vento, fogueira acesa, pipoca estourando no terreiro e a sanfona chorando saudade de um Brasil de raiz. Hoje, foi diferente. Ou talvez, mais do que nunca, foi igual. A Igreja do Senhor dos Passos transbordava de fé, de amigos e fiéis que sabiam: celebrar São João ...
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O São João de Seo Arthur Veríssimo: Uma Chama Acesa no Tempo Por Francisco das Chagas Rocha Em Cuiabá, quando junho desponta no calendário e o calor ganha nova alma, algo sagrado começa a se mover. Não é só o cheiro da canjica nem o vapor doce do quentão que tomam as ruas; é o tempo inteiro que se dobra, em silêncio, diante da fé. O passado pisa leve sobre as calçadas da cidade, trazendo consigo o som das sanfonas, o perfume da flor-de-laranjeira, a batida do tambor e o tilintar solene dos sinos da Igreja Matriz. E entre todas as tradições que acendem as noites juninas de Cuiabá, nenhuma brilha com tanta devoção e saudade quanto o São João de Seo Arthur Veríssimo. Há 123 anos — exatos, como uma promessa que se renova — essa festa se realiza sem interrupções. É como se a alma de um povo inteiro dançasse com o tempo. Começa com a subida do mastro, num gesto ancestral que finca a fé na terra e aponta o coração para o céu. Ao final, o mastro desce devagar, com o mesmo respeito com que se s...
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 Maria Perna Grossa: A Senhora da Prainha Havia uma casa simples na Prainha, entre o murmúrio das águas do córrego e o vai e vem do centro velho de Cuiabá, onde o sagrado e o mistério se encontravam no colo de uma mulher. Não era uma casa comum, tampouco uma mulher comum. Ali morava Maria Claudia da Costa — a inesquecível Dona Maria Perna Grossa.   O apelido, cruel para os que não conhecem as histórias, nasceu da filariose que fazia suas pernas parecerem desproporcionais, como se a própria terra a segurasse, não querendo que partisse. Mas quem a conheceu de verdade, sabia: suas pernas eram raízes — fincadas em um chão sagrado, por onde tantos passaram buscando alívio, respostas e bênçãos. E ela dava. Sem cobrar um centavo. Bastava seguir suas instruções, tomar o chá, a garrafada, engolir as cápsulas artesanais, ou simplesmente escutar o que São Domingos Sávio soprava em seu ouvido.   Governadores e juízes, comerciantes e donas de casa, mães desesperadas e filhos desnortea...
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O Galo da Igreja da Boa Morte de Cuiabá: Uma Sentinela do Tempo No coração do bairro Boa Morte, em Cuiabá, repousa uma das mais discretas, porém emblemáticas igrejas da capital mato-grossense: a Igreja de Nossa Senhora da Boa Morte. Com sua arquitetura simples e singela, ela guarda segredos que resistem ao tempo — e entre esses mistérios está o velho Galo da Torre, uma peça de metal que, por décadas, coroou a paisagem urbana da cidade e hoje representa um elo entre o passado e a memória afetiva dos cuiabanos. Minha relação com o Galo da Boa Morte teve início em 2009, quando participei da restauração da igreja. Durante os trabalhos, encontrei o velho galo num canto de uma sala, todo empoeirado, esquecido entre caixas e objetos antigos. Desde então, ele ficou guardado ali, quieto e enigmático. Minha curiosidade sobre sua origem e função crescia a cada dia. Busquei respostas com historiadores, moradores antigos, em livros e arquivos — mas o silêncio da história parecia intransponível. Som...
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A Saga da Luz em Cuiabá: Das Piquiras ao Brilho das Lâmpadas Elétricas Por Francisco das Chagas Rocha A história da iluminação pública em Cuiabá é um fascinante percurso que acompanha o próprio desenvolvimento da cidade, desde os tempos em que era um arraial acanhado na encosta do Outeiro do Rosário, até o advento da energia elétrica, no século XX. De acordo com o historiador Francisco A. Ferreira Mendes, do Instituto Histórico de Mato Grosso, a cidade nasceu ligando o antigo “Canto do Sebo” — hoje Praça Conde de Azambuja — ao largo da Igreja, atual Praça da República, através das três primeiras ruas: a de Cima, a do Meio e a de Baixo. Ali, sob a luz precária de lamparinas e archotes, se desenrolavam as noites cuiabanas, enquanto alguns sobrados de terra socada começavam a se destacar no cenário verde da natureza local. A luz das piquiras: a engenhosidade cuiabana Enquanto na Europa o óleo de baleia era o insumo da iluminação pública, em Cuiabá, a então Vila Real do Senhor Bom Jesus, o...

José Lucidio Nunes Rondon

JOSÉ LUCÍDIO NUNES RONDON    Filho de João Bismarck Nunes Rondon e Hermogênia da Silva Campos, nasceu na fazenda Pixaim em Poconé/MT no dia 12 de maio de 1923. Viveu os primeiros anos de sua vida se deliciando nas aventuras no Pantanal.    Aos 11 anos foi para Bela Vista/MS, viver com seus tios: Joaquim e Zulema. Atingindo a idade para servir a Pátria, ganhou a farda permanecendo por mais de 4 anos, por motivo da segunda guerra mundial, como sargento instrutor na cidade do Rio de Janeiro/RJ, sendo dispensado em janeiro de 1945. Voltou para Poconé onde começou a sua luta pela vida, com muita garra e vontade firme de vencer.     Com sua casa comercial "São Benedito" procurou sempre oferecer menor preço com o objetivo de atender aos menos favorecidos. Em 6 de abril de 1951, casou-se com a professora Ana Maria Corrêa, nascendo dessa união os filhos: Bismarck, Niobe, José Lucidio Nunes Rondon Filho, Neiva e Nivia.    Em 13 agosto de 1957 mudou-se ...
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ANTONIO PETETÉ   So dosto de menino do tolejo. Esse era Antonio do Espírito Santo.que entre os anos de 1960 e metade da década de 1970. Notabilizou-se em Cuiabá.   De fala atrapalhada e andar torto.sempre com seu abanico na mão era a alegria da criançada. Muito fervoroso, não perdia uma procissão, era também visto constantemente nas portas das lojas, ostentando o inseparável leque. Muitos aqui hão de lembrar algumas palavras do seu vocabulário tatibitate. Os meninos provocavam ele... Antônio Petetė...tira bicho do pé para tomar co. Café... ele ficava Pt da vida, jogava pedra e saia xingando...