A curiosa história da estátua do Presidente Médici em Cuiabá
Quem passa pela Avenida Fernando Corrêa da Costa, em Cuiabá, certamente já notou a imponente estátua do Presidente Emílio Garrastazu Médici, posicionada sobre um pedestal triangular, apontando para o céu com um gesto que desperta curiosidade e, muitas vezes, risos.
O que poucos sabem é que a posição das mãos da estátua não foi intencional. Quando a escultura chegou desmontada à capital mato-grossense, em 1974, os responsáveis pela montagem talvez por descuido, talvez por desconhecimento acabaram fixando as mãos do Presidente de forma incorreta. O resultado foi um gesto ambíguo, que parece mostrar o dedo para quem observa de certos ângulos.
Na verdade, a estátua pretendia representar o Presidente Médici em uma postura solene, com uma das mãos erguida em saudação e a outra voltada para o povo. O pequeno erro de montagem, porém, acabou se tornando parte da memória popular cuiabana, dando um toque de irreverência e humor à história.
A escultura foi um presente da Loja Maçônica Acácia do Ocidente à cidade de Cuiabá, com apoio do Governo do Estado de Mato Grosso e da população. A homenagem buscava eternizar em bronze a figura do então Presidente da República, que governou o Brasil de 30 de outubro de 1969 a 15 de março de 1974.
O jornal O Estado de Mato Grosso noticiou a grande cerimônia de inauguração, realizada no dia 14 de outubro de 1974, no quilômetro 9 da rodovia BR-364 asfaltada com recursos do PRODOESTE. O evento contou com a presença do Governador José Fragelli, que representou o homenageado, e de diversas autoridades civis e militares.
Estiveram presentes, entre outros: a Primeira-Dama do Estado, Sra. Maria de Lourdes Fragelli; o Vice-Governador José Monteiro de Figueiredo; o jornalista Mauro Cid Nunes da Cunha, chefe da Casa Civil; o Cel. Francisco Antunes da Silva, chefe da Casa Militar; o Prefeito de Cuiabá, Sr. José Villanova Torres; além de secretários de Estado, representantes da Maçonaria e de outras instituições.
Entre as autoridades maçônicas destacaram-se: Nilson Constantino, Grão-Mestre do Grande Oriente de Mato Grosso; Danilo José Fernandes, Grão-Mestre do Grande Oriente de São Paulo e vice-presidente do Colégio de Grão-Mestres da Maçonaria Brasileira; José de Menezes Júnior, Soberano Grande Comendador do Supremo Conselho de Grau 33, de São Paulo; Paulo Rodart, Grão-Mestre do Grande Oriente do Rio de Janeiro; Djalma Menezes, Grão-Mestre do Grande Oriente do Maranhão; Lécio Gomes de Souza, inspetor litúrgico de Corumbá; Amazyles de Lana Pinto, Grão-Mestre Adjunto do Grande Oriente de Mato Grosso; Mauro José Pereira, presidente do Tribunal de Justiça Maçônica de Cuiabá; e João Antônio Neto, presidente da Assembleia Legislativa Maçônica de Cuiabá, entre inúmeras outras autoridades federais, estaduais e municipais.
A cerimônia foi aberta com o pronunciamento do Sr. Benedito Vieira de Figueiredo, presidente da Loja Maçônica Acácia do Ocidente, seguido dos discursos do Prefeito de Cuiabá, José Villanova Torres, e do Governador José Fragelli. Em seu discurso, o Governador afirmou:
“Contemplando esse monumento, os brasileiros que depois de nós cruzarem estes sertões redimidos dirão, como nós: aí está o Presidente da Amazônia e da Integração Nacional.”
Desde então, a estátua do Presidente Médici se tornou não apenas um marco histórico, mas também um símbolo curioso e bem-humorado da capital mato-grossense. Um episódio em que um simples erro de solda acabou rendendo uma das mais comentadas histórias da cidade.
Francisco Das Chagas Rocha Membro do Instituto Histórico e Geográfico de Mato Grosso
Créditos das fotos: Foto Chau




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