IGREJA SÃO JOSÉ OPERÁRIO – MEMÓRIA VIVA DA CRUZINHA
Na memória afetiva de Cuiabá, há um bairro que resiste ao tempo com a força da tradição e da comunidade: o antigo bairro da Cruzinha, hoje oficialmente chamado Dom Aquino. Apesar das mudanças urbanas e da nova nomenclatura imposta em 1973 com a unificação de pequenos núcleos como Aldeia, Areal, Barcelos, Morro do Tambor e Várzea Ana Poupino, os moradores mais antigos ainda se referem ao local com carinho como Cruzinha.
Esse nome tem origem em uma cruz fincada no meio do largo, onde, segundo relatos, existia um cemitério de anjos, espaço destinado ao sepultamento de crianças. Ali, no coração da comunidade, nasceu um dos maiores símbolos da fé e da união dos moradores: a Igreja São José Operário.
A igreja foi erguida graças ao gesto generoso de dona Tita Eubank, que atendeu ao pedido do Sr. Orias e doou parte de sua chácara para que a comunidade pudesse construir um templo. A obra foi feita em regime de mutirão, sob o comando do Padre Antônio Pimentel, e envolveu a dedicação de pedreiros como o Sr. Marcos e o Sr. Gregório, além dos ajudantes Sr. Ireno, Sr. Júlio, Sebastião Sigarini, Antoninho, entre outros voluntários. Muitos carregaram, com as próprias mãos, pedras cristal e pedra canga para firmar o alicerce da igreja.
Entre os nomes que marcaram essa construção com suor e fé, destaca-se Dona Francisca da Costa Gomes, que além de ajudar na fundação da igreja, dedicou-se por anos à sua manutenção, lavando e engomando as toalhas do altar, com o mesmo amor com que ajudou a carregar as pedras da base.
O local não era apenas espaço de oração, mas também de educação e formação social. A Escola São José Operário funcionou no mesmo espaço, fruto da mobilização da comunidade. Antes disso, algumas salas improvisadas dentro da igreja, sem reboco e sem vidros nas janelas, já atendiam os alunos. A escola surgiu oficialmente durante o governo de Pedro Pedrossian, e contou com professoras inesquecíveis como Neuza, Titi, Amália, Rosa, Anadil, Antônia, Hélia, Dulcineia e Nilta.
A igreja se tornou paróquia em 2 de março de 1968, desmembrando-se da Paróquia São Gonçalo do Porto por decreto do então Arcebispo Dom Orlando Chaves. É considerada filha dos salesianos, e por isso mantém viva a devoção à Nossa Senhora Auxiliadora, co-padroeira da comunidade. A fé, ali, se manifesta com força nas festas do padroeiro, procissões com velas acesas, quermesses e leilões, tradições que seguem vivas na lembrança dos moradores.
A Paróquia Universitária São José Operário, como é chamada hoje, devido à proximidade com instituições de ensino superior, atende uma grande região de Cuiabá, incluindo os bairros Dom Aquino, Pico do Amor, Jardim Paulista, São Mateus, Barbado, Grande Terceiro e áreas vizinhas. Também fazem parte da paróquia as comunidades São João Batista, Nossa Senhora Aparecida, São Paulo Apóstolo, São Mateus e Santa Terezinha do Menino Jesus.
Importante também lembrar do Dr. Sylvio Curvo, médico cuiabano que, na década de 1970, oferecia consultas gratuitas e distribuía remédios para os moradores da Cruzinha, sendo parte essencial da história de cuidado e solidariedade local.
Ao lado da igreja, à direita, existia o lendário bolicho do Sr. Agostinho, referência entre os moradores. Toda essa região guarda um passado peculiar.
A Igreja São José Operário, ou Igreja da Cruzinha, é mais que um templo religioso. É um marco de identidade, pertencimento e resistência cultural. É símbolo da força de um povo que, mesmo diante da urbanização e da mudança dos nomes, ainda se reconhece nas mesmas ruas, nas mesmas igrejas e nas mesmas histórias.



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