Maria Perna Grossa: A Senhora da Prainha Havia uma casa simples na Prainha, entre o murmúrio das águas do córrego e o vai e vem do centro velho de Cuiabá, onde o sagrado e o mistério se encontravam no colo de uma mulher. Não era uma casa comum, tampouco uma mulher comum. Ali morava Maria Claudia da Costa — a inesquecível Dona Maria Perna Grossa. O apelido, cruel para os que não conhecem as histórias, nasceu da filariose que fazia suas pernas parecerem desproporcionais, como se a própria terra a segurasse, não querendo que partisse. Mas quem a conheceu de verdade, sabia: suas pernas eram raízes — fincadas em um chão sagrado, por onde tantos passaram buscando alívio, respostas e bênçãos. E ela dava. Sem cobrar um centavo. Bastava seguir suas instruções, tomar o chá, a garrafada, engolir as cápsulas artesanais, ou simplesmente escutar o que São Domingos Sávio soprava em seu ouvido. Governadores e juízes, comerciantes e donas de casa, mães desesperadas e filhos desnortea...