Gratidão de MT a Vargas

Uma Pepita de Ouro que Simbolizou o “Rumo ao Oeste”

Em gesto de rara nobreza e simbolismo, o Estado de Mato Grosso prestou, em setembro de 1938, uma homenagem de profundo reconhecimento ao Presidente Getúlio Vargas, oferecendo-lhe uma autêntica pepita de ouro bruto, pesando 332 gramas, extraída das cercanias de Cuiabá, coração do Brasil. A valiosa oferenda foi enviada como demonstração de gratidão pelo impulso de progresso e integração nacional promovido pelo governo Vargas, especialmente por meio da política do “Rumo ao Oeste”, que visava aproximar o Centro-Oeste dos grandes centros do país.

 

A pepita foi remetida de Cuiabá ao Rio de Janeiro pelo serviço aéreo Condor, sob os cuidados do então Interventor Federal de Mato Grosso, Dr. Júlio Strübing Müller, e entregue pessoalmente ao Presidente da República pelo Secretário-Geral do Estado, Dr. João Ponce de Arruda, em solenidade realizada no Palácio do Catete, no dia 2 de setembro de 1938.

 

O gesto ganhou grande repercussão nacional. Os principais jornais da época, Jornal do Brasil, Correio da Manhã, Gazeta de Notícias e A Cruz, destacaram a simbologia do presente.

 

Segundo noticiou o Jornal do Brasil, “a pepita de ouro, fruto magnífico do solo mato-grossense, foi enviada como sincera homenagem ao Presidente da República, que inaugurou uma política ótima e feliz, concretizada no lema ‘Rumo ao Oeste’”. O jornal ressaltava ainda que o ouro mato-grossense simbolizava “a confiança e o entusiasmo de um povo que, sob a direção do Chefe da Nação, via seu Estado despertar para o progresso”.

 

O Diário de Notícias de 21 de setembro de 1938 confirmou o destino da joia: por determinação do Presidente Vargas, a pepita foi entregue ao Ministério da Fazenda e posteriormente encaminhada ao Banco do Brasil, como contribuição ao Fundo de Ouro do Tesouro Nacional, criado para fortalecer as reservas do país.

 

Já o Correio da Manhã, na edição de 8 de julho de 1938, noticiava antecipadamente a remessa do precioso mineral:

 

“Vem de avião a pepita de ouro oferecida ao Sr. Getúlio Vargas, em sinal de gratidão pelos relevantes serviços prestados por seu fecundo governo a este Estado.”

 

A Gazeta de Notícias acrescentou detalhes econômicos: o ouro, avaliado em vários contos de réis, seria incorporado ao depósito de ouro do Tesouro Nacional, “como demonstração patriótica de solidariedade entre as unidades da federação e o governo central”.

 

O eminente jurista José de Mesquita, em artigo publicado em A Cruz no dia 11 de setembro de 1938, deu à homenagem um tom poético e simbólico:

 

“Nesse mimo há como que um simbolismo da própria natureza, que a inteligência humana cabe interpretar. Mato Grosso é bem essa pepita enorme rica, valiosa, mas em estado primitivo aguardando a mão do artista, o cadinho e o lavor que podem transformá-la em esplêndida obra de arte. Que o eminente Chefe do Estado Novo seja o artista desse trabalho admirável, fazendo da pepita maravilhosa a joia esplendente que há de brilhar para a glória do Brasil.”

 

 

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Foto original

 

 

De fato, o gesto mato-grossense ultrapassou o valor material do ouro. Representou a entrada definitiva do Estado no cenário do desenvolvimento nacional, rompendo o antigo isolamento que o deixava “à margem dos centros vitais do país”, como registravam os jornais.

 

Sob o governo de Getúlio Vargas e a administração eficiente do Interventor Júlio Müller, Mato Grosso passou a viver um novo tempo. Pontes e estradas começaram a ser abertas, quartéis modernos foram erguidos, a navegação aérea se expandiu e as cidades cresceram.

 

A pepita de ouro, então, não foi apenas um presente: foi o símbolo da integração, um gesto de reconhecimento e esperança que uniu o coração do Brasil ao seu governo central. Um pequeno fragmento do solo cuiabano transformou-se em joia nacional, lembrando a todos que o ouro mais valioso é o da gratidão de um povo.

 

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*Francisco das Chagas Rocha é membro do Instituto Histórico e Geográfico de Mato Grosso (IHGMT). 

 

 

 

Fontes históricas:
– Jornal do Brasil, edição de setembro de 1938
– Diário de Notícias, 21 de setembro de 1938
– Correio da Manhã, 8 de julho de 1938
– Gazeta de Notícias, setembro de 1938
– A Cruz, 11 de setembro de 1938

 

 



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